Sem medo da mudança

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Ilustração 'Alice', de Talita Hoffmann

Ilustração Alice, de Talita Hoffmann

“Você é uma camaleoa, Evelin”, me diz uma amiga jornalista, enquanto falamos descontraidamente sobre como somos hoje e como éramos desde que deixamos nossos empregos tradicionais em grandes veículos de comunicação. As mudanças parecem radicais, mas minha amiga me faz esse lembrete de que, mais do que isso, eu mudo muito e é assim que eu sou. Nada de mais.

Não me entenda mal. Mas eu acredito muito na máxima de que “só os idiotas não mudam”. Nunca vou me esquecer, por exemplo, de quando ouvi essa frase tão querida na boca de um personagem de novela vivido pela Glória Menezes. Nesse dia eu vibrei e depois fiquei tentando lembrar a quem ela era atribuída e acabei topando com uma passagem linda de Camões:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Foram 24 meses e 1 dia tipo fechada para reforma aqui no Mulherzinha. E eu vou explicar o porquê. Eu mudei. E nesse processo, eu precisava rever o que faria sentido escrever e divagar. Revi minhas origens, descartei alguns medos, comprei um sofá novo e resolvi sair do armário, assim por escrito, e me assumir feminista e de esquerda ―e a favor do casamento gay, do direito ao aborto, e contra o conceito de meritocracia, um atributo muito peculiar à classe média (alta) paulistana, que particularmente me irrita muito. Não que eu já não defendesse tudo isso à boca pequena, mas eu precisava desse momento de pausa pra poder assumir tudo isso usando, pelo menos, um megafone a pilha.

Então, não é que eu não sou mais a mesma-mesma e, também, isso nem é tão relevante assim. Eu vou continuar dando dicas de consumo, da maquiagem que vale ter na sua nécessaire, de qual peça de teatro você precisa ver e quais livros de arte e de fotografia valem estar na sua mesa de centro. Mas também vou falar de como você não deve pautar sua vida pelo consumo, de como você não deve jamais aceitar um salário menor do que o seu par masculino e de como você não deve trocar de carro e se endividar só porque aquele Fiat 500 é lindo de morrer. E eu queria dividir isso com você pra você não ser pega de surpresa. Aos poucos, a gente vai se (re)conhecer e criar uma nova história por aqui.

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Diário de uma (suposta) gorda

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Uma noite, caminhei pela casa e a minha barriga balançou. Sim, balançou. Para cima e para baixo. Era o fim da linha. Era mais do que não poder usar boa parte das minhas roupas ou, no mínimo, não sentir o mínimo ânimo para combiná-las (do jeito que amei por 32 anos). Era mais do que me sentir desanimada para qualquer coisa, mais do que me ver em fotos de uma viagem recente e não me reconhecer. Agora minha barriga balançava.

A despeito da alegria de estar com amigas em Buenos Aires, só consigo ver a minha barriga nesta foto.

Fiquei assim por alguns dias, ainda meio inconformada de sentir esse balanço, meio sem rumo, querendo (muito) me render à sibutramina. Aí ficava triste porque estava comendo muito e comia muito porque estava triste. Quem nunca?

Até que o namorado, que nunca deu muita importância ao assunto, se rendeu: “Você podia emagrecer”. Aí, não. Isso era mais do que um simples balanço. Era mais do que subir na balança e ver um quilo a mais toda semana. Foi muito. A tristeza me invadiu, me inundou e, dessa vez, comer muito me deixou ainda mais triste.

Vamos aos números:

Peso atual: 60 kg
Peso ideal: 49 kg
Consulta com nutricionista: R$ 240
Suplementos de apoio à dieta: R$ 300
Compras no supermercado: R$ 230
Medida do quadril: 103 centímetros
Número de vezes que chorei porque estou enorme: 5.482
Porcentagem de roupas do meu guarda-roupa que não me serve: 96%

Tinha várias opções para perder peso. A minha preferida era (e ainda é) esse método da sonda para o qual as noivas americanas têm apelado. Meu sonho. Dez dias, dez quilos: perfeito. Quem me conhece sabe que eu conseguiria manter depois. Mas, enfim, ainda não há esse método no Brasil, se tivesse seria caríssimo e até a minha mãe, que topa (quase) qualquer coisa para que eu emagreça, foi contra. Droga.

Aliás, ela foi contra a sibutramina também. Tenho histórico de pânico por causa de remédio para emagrecer. Esse tipo de medicamento é recomendável para mim? O namorado disse que tudo bem, eu só teria um surto psicótico e ok. Fiquei com medo.

Mais um método descartado.

Sem esses dois caminhos mais curtos, me restou o mais longo, mais saudável, mais promissor e que garante as noites de sono da minha linda mãe: o acompanhamento de um nutricionista. Minha atual chefe deu a dica de uma profissional estudiosa, interessada e que conseguiria me motivar: Flávia Bulgarelli. O preço da consulta? R$ 240 (caaaro, mas com a possibilidade de ser ressarcida pelo convênio, basta ter sido encaminhada por um médico).

Tempo de consulta: duas horas. Acho que valeu cada centavo. Flávia quis me ‘ver’ por inteira, se preocupou mais com os carmas da minha vida, TPM e enxaqueca do que com a minha aparência. Ponto para ela. Flávia pontuou novamente no placar do meu coração quando esclareceu que vários outros fatores contribuem para a minha obesidade. A poluição, acreditem, é um deles. Quando soube que eu deixei os ótimos ares da minha linda Goiânia há menos de um ano, encaixou mais uma peça do meu tabuleiro de 60 quilos.

A príncípio, me propôs uma dieta de 90 dias sem glúten, açúcar, cítricos e derivados do leite. Tremi. Detesto dieta restritiva, mas, olhando as refeições propostas, descobri que há chocolate com 70% de cacau, amêndoas e arroz até mesmo no jantar. Acho que consigo.

Namorado foi fofo e resolveu comer o mesmo que eu. Isso ajuda muito, é péssimo estar de regime, chegar a casa e encontrar o outro comendo pizza. Uma coisa boa em meio a várias outras difíceis.

Só de suplementos foram cerca de R$ 300. Some isso à consulta e vejam que não é barato emagrecer. O universo não se contenta em lhe impor uma vida sem doce de leite e ainda cobra caro por isso. É como pagar para depilar a virilha.

Prometo descrever aqui os meus progressos. Torçam para que eles existam.

Aliado à dieta, também tomarei medicação para um ‘início’ de hipotiroidismo e caminharei por 30 minutos, todos os dias.

Frases que fizeram efeito:

‘Você podia emagrecer’, do namorado entregando os pontos.

‘Bom que você já sabe como ficará quando engravidar’, da mãe que não consegue esconder o seu desespero.

‘Você quer se sentar?’, da garota do ônibus 875H achando que eu estou grávida.

{Nutricionista}
Quem: Flávia Bulgarelli (flabulgarelli@hotmail.com).
Quando: a sua barriga começar a balançar ou (tomara) bem antes disso.
Onde: Av. Paulista, 726, cj 908/909, Cerq. César, (11) 3262-3964.
Quanto: R$ 240 (que podem ser ressarcidos pelo plano de saúde).

#mariaeugêniagonçalves

Santinho do pau oco!

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O Dia dos Namorados passou. Se foi desprezado por um quê blasé desse seu lado paulistano cool ou ignorado solenemente por defesa mesmo, não importa. Passou. E agora você pode ser a cafona (romântica?) de sempre e ficar à vontade com seu lado mulherzinha (por favor, fique).

O fato é que a Juliana Motter, a vanguarda do brigadeiro gourmet no Brasil, sempre ultracriativa e atenciosíssima aos detalhes, soube aproveitar ao máximo – e no melhor dos sentidos – de Santo Antônio e lançou uma nova linha Maria Brigadeiro de brigadeiros de colher que não poderiam ser mais do que bentos.

O trabalho de design de embalagem é de um bom gosto em um nível à altura de toda a marca: quando a caixa-oratório for aberta, duvido alguém ter coragem de jogar fora (certeza que eu não vou ter). Dentro dela, um pattern delicado de flores, que serve de parede para o doce e um santinho-amuleto, que vem junto para ser dado de presente a alguém que ainda não encontrou um amor.

O preço é salgado, R$ 72, mas doce pela experiência toda. E o mais inteligente: virou coleção fixa e fica na loja o ano inteiro para chocólatras de todas as religiões.

P.S: O kit do santinho foi uma invenção de 2011 (olha como ele era aqui), menos elaborado que a versão 2012 – agora para ficar.

{Maria Brigadeiro}
Onde: R. Capote Valente, 68, Pinheiros, São Paulo, 11 3085-3687. Quando: seg. a sáb., 9h-19h (dom. e fer., 11h-17h). Quanto: R$72.

#evelinfomin

Bazar Nem Mais Um Dia Com Você

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É, você foi esperta. Fez bem. Está bem treinada. Sabe que quando as mercadorias encalham só resta uma coisa ao vendedor: dar desconto.

O bazar Nem Mais Um Dia Com Você foi bem, não posso reclamar. Mas ainda restam 20 unidades de quinquilharias que minha residência não vê a hora de dizer adeus.

Das 20 peças que restam, preciso destacar uma que eu não me conformo que nenhuma alma tenha se interessado: o Conjunto para Fondue Brinox de 24 peças e base giratória.

Nos sites por aí, o preço dela gira em torno de R$ 322, para o qual estão dando descontos e baixando o preço para R$ 283.

Se você não perceber que este aparelho novinho, que nunca foi tirado da caixa está custando R$ 180 e que estou baixando o preço para R$ 150, então você precisa de mais treino.

Alguém, alguém?

#evelinfomin

10 razões (inúteis) para ir

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Já faz algum tempo que fui conhecer o Outlet Premium, na Rod. dos Bandeirantes. O lugar, para quem está acostumado a viajar para os EUA com frequência e deixa para fazer compras nos grandes outlets de lá o que se compra aqui dez vezes mais caro, vai perceber que esteticamente o projeto é parecido. E só.

É um conglomerado de lojas dispostas em blocos, de maneira plana e ao ar livre, com um bolsão enorme de estacionamento. É, afinal, um desses centros de compras como nos subúrbios de qualquer cidade americana.

Por aqui, dados os impostos, a desorganização, o desinteresse dos lojistas e, sobretudo, a total inércia do consumidor, os preços continuam sendo bem brasileiros – com algumas pequenas vantagens pontuais.

Mas como sempre há um motivo para ir às compras, exemplifico a seguir as 10 razões que se sustentam para você se dar esse passeio (e, quem sabe, até um mimo).

1. Você deve ir ao Outlet Premium para juntar você e mais 4 amigas e racharem a gasolina e o pedágio – e passarem bons momentos juntas falando ao mesmo tempo, de preferência usando tons mais agudos;

2. Você deve ir ao Outlet Premium para ter, ao menos por alguns instantes, a sensação de estar em um templo de descontos – e treinar controlar a frustração ao perceber que tudo o que você gosta ainda custa mais de R$ 200. “A peça está fora do saldão, senhora”;

3.  Você deve ir ao Outlet Premium para descobrir que pode comprar uma peça incrível por míseros R$ 25, mesmo que ela seja feita de algum coquinho desta flora brasileira abundante e que deve ter custado R$ 5 do fornecedor;

4.  Você deve ir ao Outlet Premium para descobrir que sempre pode haver uma praça de alimentação pior do que a do shopping perto da sua casa – e com abelinhas que vão ajudá-la a não consumir todo o seu refrigerante proibido;

5.  Você deve ir ao Outlet Premium para caminhar muito debaixo de um céu azul que só o interior do Estado pode oferecer e, no fim da tarde, ser abençoada por uma tromba d’água

6. Você deve ir ao Outlet Premium para se surpreender com a Osklen, que estará desencalhando todas as coleções (muito) antigas, como as saruels de R$ 150 que você ainda insiste em usar só porque… ah, é da Osklen;

7. Você deve ir ao Outlet Premium para fazer uma pausa para o cafezinho da tarde e descobrir que você não sabia que a única boa opção é uma Kopenhagen dificílima de encontrar, e ter se livrado das calorias do cappuccino mais delicioso do Brasil porque acabou na Casa do Pão de Queijo mesmo;

8. Você deve ir ao Outlet Premium para uma vendedora deixar escapar que os preços por ali só são até 15% mais baratos que os da tabela – mas que você terá seu olho treinado de tanto ter experimentado peças que, na realidade, estavam mesmo é com defeito;

9. Você deve ir ao Outlet Premium para provar mais de 20 pares de sapatos da Arezzo – e convencer sua amiga a levar 3. Sério.

10. Você deve ir ao Outlet Premium para________________________.

{Outlet Premium}

Onde:
Rod. dos Bandeirantes, Km 72, 4496-7000. Acesso pelo Serra Azul, Hopi Hari e Wet’n’Wild
Quando: sáb. a dom., 9h-21h.
Quanto: depende.

#evelinfomin

Caem as máscaras

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As máscaras sob a supervisão de Coco Chanel

Os cílios cheios de rímel entregam meu humor. Se os fios estiverem besuntados do cosmético, beirando a Adele, ‘chute’ que estou bem ou, pelo menos, acordei assim. É quando estou com vontade de me arrumar que passo cinco camadas de máscara. Tenho dezenas delas. Amigos viajam e me presenteiam com novidades na ‘área’. Eu mesma compro umazinha, ainda que o cartão de crédito já esteja no limite (da razão).

Na caixinha de maquiagem, na nécessaire de bolsa ou no armário do banheiro há exemplares de marcas como Rimmel – a que deu o nome ao produto no Brasil e de quem já falamos aqui -, Dior, MAC, Glam’Eyes, O Boticário, Natura e Avon, esta, uma das minhas preferidas (acredite). E falo em meu nome, Maria Eugênia, porque Evelin e Aiana certamente têm o preferido delas.

É claro que rímel é uma coisa pessoal. Tem os alongadores, que dão volume, separam os fios, penteiam, curvam… Aí vai de cada uma. Eu dou volume e depois alongo. Os fios ficam grudados e o produto fica em excesso: este é o meu jeito favorito. E, se você me conhece, aposto que está dizendo que os meus cílios já são enormes, fica fácil modelar. Fica mesmo, amiga. Nunca vou precisar de cílios postiços. Me aceite. E você que come, come e não engorda? Isso você não menciona, aposto.

Um tipo de rímel que não uso são os à prova d’água: não saem fácil e não tenho saco para demaquilante de olhos todos os dias. Os que saem com água são lavados sob o chuveiro, rapidamente. Muito mais prático. E você não chora (todo dia) no trabalho, chora?

Um tipo que não está vetado, mas que nunca experimentei, são as versões coloridas (a Evelin já usou o marrom e o azul navy e até que gostou). Quem sabe o azul. Já o transparente tem lugar garantido nos meus dias bons: nos cílios inferiores e nas sobrancelhas.

Meu ranking:

1. Diorshow
2. Plush Lash (MAC)
3. Avon Daring Curves

{E só para reforçar, falamos mais de rímel aqui.}

#mariaeugêniagonçalves

Salão amigo

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Se a sobrancelha vai bem, o rosto vai bem.

Largar emprego, família e amigos é tranquilo, quero ver você abandonar aquela pessoa que faz a sua sobrancelha há anos para se arriscar por milhares de salões de beleza frios da cidade grande. Cheguei a São Paulo há quase nove meses e ainda não consegui ficar satisfeita com uma manicure, por exemplo. Não fiquei feliz também com o que paguei, nunca menos do que R$ 25. E já desembolsei R$ 35 para uma filhinha brincar de empurrar minhas cutículas num salão badalado da Augusta.

Mas, se as unhas padecem, as minhas sobrancelhas já encontraram novas mãos. O lugar não é óbvio, apesar de parecer: o Societá Hair, no shopping Frei Caneca. Peça para ser com a Vívian. Ela tb corta minha franja e, apesar de ter exagerado da última vez, tem a mão boa. Pedi para não tirar os ‘pés’ das sobrancelhas – porque a minha mãe ressalta aos meus ouvidos desde que eu estava no útero dela: não há nada mais feio do que sobrancelhas com grandes espaços entres os olhos – e ela (a Vívian, não a minha mãe) não tirou. Está certo que tentou me empurrar a henna, mas não, né? Ainda me resta alguma sanidade. Gente, não tem coisa mais feia do que perceber que os cabelinhos acima dos olhos, na verdade, são tinta.

E se prepare, o serviço nas sobrancelhas custa R$ 35. A franja? R$ 40.

O bacana é que por ser em shopping, o salão está sempre aberto. Nunca marco hora, apesar de eles trabalharem com hora marcada tb.

E sobre as unhas? Fiz com a Rose da última vez. Razoável, mas ainda me fez sentir saudade da manicure de bairro ao lado da ‘minha’ casa em Goiânia. Melhor do que as unhas foi ver um homem manicure. Nunca tinha visto. Então, claro, não é um salão para homofóbicos, não é um shopping para homofóbicos. Aliás, não há lugar para homofóbicos.

PS.: Em Goiânia, gosto da Cissa, do Muhari do Bueno. Ela tira com linha e dói para diabo, mas o resultado é bom (se você orientá-la). Dói no bolso tb: R$ 18.

{Societá Hair}

Onde: Shopping Frei Caneca, Frei Caneca, 569.

Quando: A sua sobrancelha perder o formato ou só porque você quer mudar algo no seu rosto.

Quanto: R$ 35 (sobrancelha). O corte de cabelo custa R$ 85 (ai).

#mariaeugeniagonçalves

Mulherzinha Pimentinha

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“Já não se fazem mais pessoas como antigamente.”

Elis Regina começa a frase melancólica e termina rindo, ao perceber a incoerência da construção. Era 1973, e ela gravava um especial para a TV Cultura.

Já não se fazem mais cantoras como antigamente

O programa pode ser visto integralmente no Centro Cultural São Paulo, na mostra “Viva Elis”, que lembra os 30 anos da morte da cantora.

A frase resume bem os 36 anos vividos por ela, que ia facilmente da tristeza ao sorriso rasgado, de “Lilica” a “Pimentinha”, de “Atrás da Porta” a “Águas de Março”.

A carreira é cronologicamente dividida em fotos, vídeos e LP’s, nessa que é uma mostra majoritariamente interativa e tecnológica. A falta de objetos que pertenceram à cantora é um pouquinho compensada pelos cinco vestidos, reproduzidos pelo estilista Fause  Haten, que foram usados por ela em shows.

Um dos modelos reproduzidos por Fause Haten

O ponto alto, no entanto, é escutá-la cantando, à capela, “Se eu quiser falar com Deus”, num espaço reservado. Faz a gente lembrar como sua voz era perfeita, como a interpretação era emocionante e como a escolha do repertório era sempre genial.

“Se eu quiser falar com Deus/Tenho que ficar a sós/Tenho que apagar a luz/Tenho que calar a voz”

O que: Exposição “Viva Elis”

Onde: Centro Cultural São Paulo

Quanto: Grátis

Por que: Porque Elis Regina é a maior cantora brasileira e foi uma mulher como nós, capaz de dar muita risada num dia, rasgar o álbum do casamento fracassado no outro, ter filhos num ano, brigar com meio mundo e se decepcionar com o ser humano na maturidade – mas juntar tudo isso e produzir… beleza.

#aianafreitas

O lado B da MPB

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Quando você passa décadas (é chocante perceber que você pode escrever décadas sem risco de ter feito a conta errada) mergulhada na MPB, criada desde cedo ouvindo Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Caetano Veloso, Elis Regina, Clara Nunes, Cartola e Paulinho da Viola, chega um momento da vida (décadas depois) em que:

– Você conclui que não há cancioneiro popular mais rico e língua tão poética e melódica como a portuguesa

– Será difícil os jovens talentos da música brasileira conseguirem competir em beleza com o que já foi escrito e cantado

A saída, então, passa a ser vasculhar raridades em lojas meio sujinhas do centro de São Paulo ou na internet, ou esperar pacientemente que alguém com muito bom gosto artístico faça isso por você.

Foi o que a Camila de Ávila fez. No seu primeiro CD, ela juntou só pérolas da música brasileira. Não aquelas que todo mundo conhece de cantar junto, e sim aquelas que quem gosta de MPB até já ouviu, mas não sabe bem da letra -e que na voz aveludada dela se transformou em clássico.

Em “B”, ela gravou o tipo de música que, na época do vinil, ficaria do lado “B” do disco, porque não era a tal da “música de trabalho” do artista naquela época. Mas, que, ouvida agora, a gente nem entende bem por quê.

O que: “B”, de Camila de Ávila

Quanto:R$ 24

Onde: Discoplay Discos Raros

Por que vale a pena:  porque a Camila tem a voz linda e você pode ouvir “Flor da Idade” e “Lola”, de Chico, numa tacada só

#aianafreitas

Quanto vale o objeto do seu desejo?

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Eu tenho três objetos de desejo. Não é nada parecido com uma mansão, uma BMW ou um vestido Dior. São coisas bem mais baratas, mas, que ainda assim, nunca comprei.

Desde que passei a desejá-los, já financiei um apartamento, já mobiliei esse apartamento e já viajei muito. Quer dizer: se eu quisesse, poderia ter me preparado para comprá-los, assim como me preparei para gastos muito mais altos.

Mas, por mais que quando eu vou shopping ou vasculho lojas virtuais eu sempre faça questão de dar uma olhadinha deles, eles nunca foram parar no meu carrinho de compras , virtual ou real. Por quê?

Na busca pelas explicações, achei três:

– Eles não são necessários. São, os três, objetos de decoração. Decoração pode fazer nossa vida mais linda. Mas podemos facilmente viver sem ela. Não é à toa que só agora as lojas de móveis estão de olho nos consumidores da classe C: elas sabem que, antes, a população tinha outras prioridades. A gente só compra objeto de decoração quando tem dinheiro sobrando.

– Eu esperava ganhar de presente. Essa é a tática que uso para coisas que eu queria ter, mas não preciso ter. Espalho para as pessoas próximas meu encantamento. Quem sabe um dia? (Não está dando certo).

Por fim, talvez o mais importante:

– Eu acho que eles não valem o que custam. Pagar R$ 200 por uma bolsa de couro parece justo. É um produto feito de material de qualidade. O desenho pode ser exclusivo e o modelo pode estar na moda. Pagar R$ 200 por uma calça jeans já parece um exagero: dá para comprar por pouco mais da metade um par de igual qualidade, da mesma marca até. Ainda assim, eventualmente até pagamos: afinal jeans a gente usa todo santo dia. Agora, pagar R$ 200 por um baleiro retrô que raramente será enchido de balas e que nem tenho onde colocar? Não vale. É simples assim.

Donde chegamos a Adam Smith, o pai da economia moderna:

“O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.”

Ah, meus três objetos eternos de desejo são esses:

Baleiro giratório retrô. À venda na Tok&Stok por R$ 154,90

Miniatura da poltrona de design Barcelona, criação de Mies Van Der Rohe. À venda na Tok&Stok por R$ 79,90

Globo terrestre político com luz interna. Na Saraiva, à venda por R$ 169,90

#aianafreitas